Entre Nós

Entre a realidade virtual e as virtualidades da nossa realidade, é assim que arrancamos o primeiro número do El Mag. O número zero veio para surpreender e encantar, para fazer a diferença e mostrar quem somos. Esta edição já é muito mais a primeira de muitas, com a franca
intenção de criar valor num ângulo muito nosso, longe dos estigmas que carimbam a definição de normalidade.

Este número do El Mag é bem real. A começar pelo tema principal, bem visível na primeira página: a carreira fotográfica do Daniel Rodrigues. Este jovem fotógrafo da Póvoa de Varzim estava no desemprego, foi obrigado a vender o material para sobreviver, mas nunca deixou de acreditar no seu trabalho. Uma viagem à Guiné-Bissau, e uma fotografia em particular, que transmite a alegria e a esperança das crianças africanas, valeu-lhe um World Press Photo. Hoje – é o que conta nesta entrevista a Marisa Sousa –, trabalha para os jornais mais importantes do mundo, apesar de, em Portugal, sempre ter sido ignorado. O percurso de Daniel Rodrigues, um contador de realidades, como diz, está nos antípodas do discurso miserabilista, conformado e autovitimizante. É o percurso de alguém que acredita que o seu trabalho pode ser importante para chamar a atenção para problemas reais, e que se entristece pelo mesmo ter ganho mundo à custa da “história do coitadinho”. Não podemos deixar de nos identificar com os sonhos que o Daniel descreve, tão diferentes mas tão nossos, como aqueles que agora definem essa tendência a que chamamos realidade virtual. Entraremos por esse tema, incontornável num tempo próximo, e que não é apenas um futurismo longínquo e improvável. Entre a realidade virtual e a aumentada evoluiremos como sociedade, sem nunca perder a noção elementar da importância desta nossa realidade física e palpável.

Passaremos também por um artigo sobre um tema polémico: até que ponto podem as empresas definir o que vestimos, sobretudo, quando não nos criam condições para fardamento. Fica claro, num tema de debate mundial com epicentro no Reino Unido, que qualquer exagero tem mau resultado, e que é no equilíbrio que se encontra quase sempre o maior valor. Mais do que expressar opiniões, constata-se a importância de discutir os temas contemporâneos com elevação, sabendo-se que uma sociedade justa é aquela que se permite discutir sem extremar, é evidente que o equilíbrio entre uma empresa que garanta a boa imagem das suas pessoas, sem nunca ferir as liberdades e as igualdades que queremos que a sociedade garanta para cada indivíduo, é a melhor solução para clientes e colaboradores felizes. O respeito, a elevação e o equilíbrio, serão sempre pilares elementares de quanto conseguimos ser como sociedades, e se a constatação parece óbvia, nunca é demais lembrar – é precisamente por isso que a educação é crucial no que concerne à definição do nosso estado de evolução.

Nas últimas páginas do nosso El Mag surge destacado o programa de microeventos que o El Corte Inglés desenvolverá nestes últimos dois meses, que tem crescido em quantidade e variedade, indo ao encontro do que cada um pode gostar de fazer ou experimentar, sem nunca perder de vista o factor surpresa. São dezenas de eventos, quase sempre sem custo, mas com uma aposta firme e determinada na qualidade, crucial na criação de bons conteúdos de arte, cultura e conhecimento. Não posso terminar sem manifestar o agrado pelo nascimento do Alambique, que ainda não conheço. O atelier de design multifunções, que se destaca numa das rúbricas “Aqui e ali”, está muito alinhado com aquilo que somos. Definem-se como gente grande que não veste definições pequenas, e não têm receio de gritar alto que “queremos que o sonho supere o medo”. Mencionam-se num processo de transformação constante – exactamente como nós, para nos reinventarmos a cada dia sem deixarmos de ser quem somos. Sem redes nem filtros, quiseram criar um espaço onde houvesse vontade de ficar e voltar, que é precisamente o que sempre quisemos com o nosso projecto El Mag.

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